Cerveja Proibida e Neymar

    Campanha da Cerveja Proibida tem Neymar como garoto-propaganda, transmitindo aos consumidores uma palavra de esperança para momentos de dificuldade. Mas será que por trás dessa mensagem não haveria uma indução ao consumo?

    Neymar estreou como garoto propaganda da Cerveja Proibida, em campanha denominada “Eu Acredito”.

    Na narração feita pelo atleta é transmitida a mensagens de confiança:

    “No esporte e na vida, sempre dá tempo de virar o jogo. Acredite em você”.

    A cena de um jogador de várzea prestes a bater em gol é acompanhada da mensagem de que todos têm obstáculos, mas quem acredita vence. Em seguida, a imagem de um garçom com olhar perdido no horizonte, é acompanhada da mensagem de que todos têm problemas, mas quem acredita dá a volta por cima.

    Não há dúvida de que tais mensagens, expressadas por um ídolo como Neymar, são positivas. Algumas agências chegaram a informar que a campanha faria alusão ao “consumo consciente”.

    Porém, não há nenhuma informação sobre isso no filme, a não ser a ideia, distante e apenas reflexiva, de que por se tratar de um esportista, estaria abandonada a ideia do bar, da praia, da festa etc.

    O Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária (Código CONAR) proíbe a publicidade que contenha sugestão de que a ingestão de bebida alcoólica seja sinal de maturidade ou forma de adquirir coragem (Anexo P, item 3, alínea ‘c’). A redação da norma é a seguinte:

    c. não serão utilizadas imagens, linguagem ou argumentos que sugiram ser o consumo do produto sinal de maturidade ou que ele contribua para maior coragem pessoal, êxito profissional ou social, ou que proporcione ao consumidor maior poder de sedução.

    O filme, ao demonstrar situações reais de dificuldade, poderá induzir ao consumo de cerveja como fator preponderante de superação.

    Os problemas, as barreiras, enfim, as situações cotidianas que nos fazem perder a esperança poderiam, numa interpretação menos racional, ser superadas com a bebida, já que o álcool, sabidamente, atua no sistema límbico do consumidor, aliviando a dor e inibindo a tristeza e o medo.

    Estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS), mostram que uma concentração de álcool no sangue entre 0,03 e 0,12 já é suficiente para provocar o estado denominado ‘euforia’, em que o consumidor aparenta maior sociabilidade e tem aumentada sua auto-confiança e desinibição. Justamente, as ideias transmitidas na campanha.

    Por outro lado, a apresentação do produto por um jogador mais do que vitorioso torna a mensagem como auto-ajuda, ou seja, desassocia a ideia de que a ajuda viria pela ingestão da bebida, mostrando humanidade quanto à possibilidade real e efetiva de se dar a volta por cima.