Open English like Brasil, like Favela

    Open English usa garoto-propaganda que representa a brasilidade e provoca revolta num grupo de consumidores, que consideram que a anunciante denegriu a imagem do Brasil.

    Propaganda da Open English com o comediante Paulo Gustavo deu o que falar. No filme, o comediante faz uma ligação internacional e tenta se comunicar num péssimo inglês. Num dado momento, numa ótima “embromation” com a pessoa do outro lado da ligação, num estilo bem típico do comediante, ele diz “se like Brasil, like Favela”.

    Esta frase foi o suficiente para que consumidores reclamassem do filme, sob o argumento de que ela denigriria a imagem do país.

    O CONAR julgou improcedente a reclamação, entendendo que a “favela” foi incorporada no “imaginário que compõe a brasilidade”.

    A relatora considerou que:

    “tem sido um produto turístico de sucesso no mundo e, na maioria das vezes, por atributos muito positivos, como criatividade, cordialidade, capacidade de improvisação e inovação em arranjos urbanos e solidariedade. E mesmo internamente, vemos exercícios cada vez mais frequentes de integração desse espaço no cenário urbano de um número cada vez maior de produtos culturais”.

    Conselheira Adriana Pinheiro Machado

    Ao nosso ver, errou a relatora!

    O indeferimento da reclamação era mais do que justo, mas não pelos argumentos utilizados na decisão.

    A alegação de que a “favela” é um produto turístico de sucesso no mundo não é verdade. Boa parte das favelas são foco de preocupação nacional, e não de enaltecimento. Justamente por isso há esforços, públicos e privados, no sentido de prover a população desses lugares com oficinas em que possam exteriorizar sua criatividade e inovação, sempre com o intuito de melhorar a realidade local, em benefício de seus próprios moradores, afastando-os das mazelas da miséria e da violência.

    O argumento que poderia ser utilizado pelo CONAR é da identidade do garoto-propaganda, típico carioca, e que exibe, em todos os seus trabalhos, um jeito de ser que se assemelha à do malandro, com falas rápidas e uma forma de interação sempre com vista a conquistar o seu espectador pelo “carioquês” sincero e sem preconceitos com que se apresenta.

    Diga-se, a opção por um ator como garoto-propaganda deve compreender quem ele é, seus trejeitos e seus traços típicos. O mesmo se aplica a quem assiste a um filme publicitário, que não exigir gargalhadas de um ator que na sua vida seja sério, tampouco que um sujeito escrachado apresente-se ao público de forma séria e ortodoxa.

    Portanto, não é a favela o foco de atenção da campanha, mas a forma divertida com que o garoto-propaganda demonstra a sua inabilidade com o inglês, que o levaria, sem dúvida, a querer frequentar um curso de línguas. Não há, no filme, nada que desmereça o Brasil. O Brasil é o que é. Tem seus problemas e suas qualidades. E não os escondemos. Mas o Brasil tem muitos bons atores que têm uma característica própria e que devem ser compreendidas tanto por quem produz, quanto pelos destinatários do trabalho.