Zorba e o “fim da ajeitadinha”

    Quem não se lembra do Passarinho da Zorba? Pois ele voltou rejuvenescido e liderando o manifesto "Fim da ajeitadinha", numa alusão ao conforto de sua linha de roupas íntimas masculinas.

    Quem não se lembra do Passarinho da Zorba? Pois ele voltou rejuvenescido e liderando o manifesto “Fim da ajeitadinha”, numa alusão ao conforto de sua linha de roupas íntimas masculinas.

    A marca lançou ‘gifs’ bem humorados do manifesto em suas redes sociais, oferendo ao público imagens rápidas e dinâmicas sobre esta que, digamos, é uma mania horrível que muitos homens insistem em manter. Numa das cenas um rapaz dá uma tímida “ajeitadinha”, bem diferente da que se costuma ver por aí.

    A pergunta é: a campanha esbarra em alguma ilegalidade ou imoralidade? A meu ver não, pois não há conteúdo erótico ou violação de nenhuma questão de ordem moral ou ética. O anunciante teve o cuidado de não mostrar o homem manipulando suas partes íntimas de modo mais acintoso, o que torna a campanha alinhada aos padrões estéticos e morais exigidos.

    Vale o registro de que em 2003 o CONAR julgou peça publicitária das Cuecas Mash (Reclamação nº 17/03), a partir de reclamação de consumidores que protestaram contra a afixação de painéis que mostravam um homem de costas, sem camisa e sem calça, cuja cueca foi ligeiramente abaixada por uma mulher a ele abraçada. Embora bastante dividido, o Conselho de Ética negou provimento à reclamação e determinou o arquivamento do processo.

    Isso revela a tradição liberal do CONAR neste tipo de publicidade, o que, acredito, se repetirá caso sejam levantadas questões de ordem moral contra a campanha.