Cerveja e Machismo são sinônimos?

    Já se tornou comum na publicidade de cerveja a exploração da imagem da mulher, sempre numa perspectiva machista e discriminatória. É como se bebida e machismo fossem sinônimos neste tipo de publicidade.

    Muitas campanhas utilizam mulheres apenas para chamar a atenção, expondo corpos bronzeados e bem definidos sem nenhuma relação lógica elas e o produto. É a coisificação da mulher, sua transformação em objeto, adereço.

    Alguns movimentos defendem o respeito à mulher nas campanhas publicitárias e alegam que 65% delas não se identificam com a publicidade e como são retratadas.

    Em se confirmando este percentual, poder-se-ia dizer que a insistência em fazer campanhas machistas, além de violação óbvia ao direito constitucional da igualdade, é uma estratégia comercial estúpida, ao não levar em conta o potencial de consumo deste público que não se identifica com este tipo de publicidade.

    A posição do CONAR

    O entendimento do CONAR a respeito do uso indecente e discriminatório da mulher nas propagandas de bebidas alcoólicas vem se modificando, tornando-se cada vez mais liberal, a exemplo do posicionamento adotado na Representação nº 1/15, cujo relator, Conselheiro Sérgio Pompílio, considerou que

    “as regras éticas para a publicidade de bebidas alcoólicas de baixo teor recomendam que a sensualidade não constitua o principal conteúdo da mensagem e que modelos não sejam tratados como objetos sexuais”

    O relator fez referência ao Anexo A, item 3, alínea “a”, do Código CONAR, que estabeleceu que “eventuais apelos à sensualidade não constituirão o principal conteúdo da mensagem; modelos publicitários jamais serão tratados como objeto sexual”.

    No entanto, não é bem isso que se tem observado. Uma interpretação excessivamente liberal deste dispositivo do Código CONAR poderá levar a lugar nenhum, pois, por óbvio, nenhum publicitário colocará a mulher como principal conteúdo da peça, pois sabe que, ao final, ela acabará se tornando o foco das atenções, querendo ou não, pelo simples fato de estar com uma roupa mais clara do que a da propaganda ou expondo seu corpo de maneira sensual.

    É importante lembrar que a Constituição não desejou essa coisificação da mulher. Isso é trabalho humano, ou seja, vontade da sociedade, e não da norma. O art. 5º, II, da Constituição, considera que “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição”.

    A igualdade propalada pela Constituição por enquanto é apenas texto. Enquanto não houver uma efetiva demonstração das pessoas de que elas se respeitam, em iguais condições de direitos e deveres, homens, mulheres, brancos, negros etc., a Constituição será apenas um amontoado de letras impressas sobre o papel.