A campanha do novo SUV da Honda (o WR-V) denominada “A vida por outro ângulo” mostra a cidade às vésperas de uma tempestade. Todos querem se esconder da chuva, exceto o corajoso motorista que vai em direção a ela.

O motivo é revelado no final: o motorista para o veículo no alto de uma ladeira tomada pelas águas, retira um caiaque do interior do carro e se prepara para descer a correnteza.

O filme é muito bonito. Uma aventura e tanto!

Contudo, uma possível interpretação sobre a legalidade do anúncio diz respeito à segurança. É que o mais razoável dos homens sabe bem que uma correnteza, no âmbito de uma cidade, não é lugar para aventura.

Olhar a vida por outro ângulo não pode ser um ângulo que possa matar o indivíduo! Que o digam os bombeiros civis e militares que devem ter ficado arrepiados, não porque gostariam de fazer o mesmo, mas porque, invariavelmente, são eles que são chamados para fazer resgates quando indivíduos como o do filme têm ideias mirabolantes como aquela.

É bom lembrar que o artigo 33 do Código CONAR condena os anúncios que “manifestem descaso pela segurança”. O texto é literal, e a imagem, mais do que óbvia.

No entanto, outra interpretação válida é que se trata de uma fantasia, uma bela ficção, que certamente não terá o condão de incentivar nem o mais tresloucado dos seres! Não se imagina que alguém se dirija a uma ladeira apenas pelo prazer de descer alguns metros d’água em seu caiaque. E, certamente, se esborracharia em algum poste ou carro parado mais cedo ou mais tarde, o que se torna um desincentivo a esse tipo de decisão. Não que não existam pessoas que fazem isso em dias de chuva!

Mas não é possível estabelecer um nexo de causalidade entre um comercial e a prática de uma aventura arriscada e perigosa como a de descer uma ladeira inundada em plena tempestade!