Inri Cristo garoto-propaganda de “O Exorcista”

    Aposta do Canal FX pode ser desrespeitosa à igreja católica. No centro das atenções, Inri Cristo, o reencarnado. Alguém o leva a sério?

    O Canal de TV à cabo FX contratou o personagem Inri Cristo para anunciar a segunda temporada do seriado “O Exorcista”.

    Para quem não o conhece, Inri Cristo é um personagem que se auto proclama a reencarnação de Jesus Cristo. Famoso pelo tom jocoso de suas aparições e opiniões sobre os dogmas católicos, Inri aparecerá nos intervalos do seriado para “acalmar” os telespectadores.

    Mas será que há alguma irregularidade na utilização deste personagem como garoto-propaganda?

    O artigo 19 do Código CONAR estabelece que “toda atividade publicitária deve caracterizar-se pelo respeito à dignidade da pessoa humana, à intimidade, ao interesse social, às instituições e símbolos nacionais, às autoridades constituídas e ao núcleo familiar”.

    Já o artigo 34 condena a publicidade que “ofenda as convicções religiosas e outras suscetibilidades daqueles que descendam ou sejam de qualquer outra forma relacionados com pessoas já falecidas cuja imagem ou referência figure no anúncio”.

    A utilização do garoto-propaganda é uma ação arriscada do Canal FX, dada a possibilidade de uma revolta dos católicos mais devotos. Por outro lado, não se pode deixar de considerar que eles talvez não sejam o público do seriado.

    Entre impactos negativos e positivos, o Canal FX optou pelo segundo, já que o personagem é bastante conhecido entre jovens e tem potencial para chamar a atenção para o programa.  

    Em síntese, a utilização de ícones religiosos na publicidade sempre será motivo de debate, a exemplo do que já foi utilizado outrora pela Benetton. É que, bem ou mal, embora o senso comum conheça Inri Cristo como uma figura caricata, não há como não deixar de apontar certo desrespeito que ele nutre pela tradição católica, seus símbolos e dogmas, com aparições sempre contestáveis e com potencial de ser simultaneamente risível e deprimente.