Tramontina reconstrói a história do tropeirismo gaúcho

Enquanto várias empresas amenizam o tom e procuram estabelecer um debate a favor da igualdade gênero, a Tramontina defende a masculinidade na arte de fazer churrasco e resgata a história e folclore gaúcho.

Nos últimos meses diversas empresas lançaram campanhas defendendo a igualdade de gênero.

Desde a mudança do tratamento que se deve dar às crianças, até a aceitação das diferentes formatações familiares, a publicidade vem adotando enfaticamente o discurso de diversidade.

A não ser quando o produto seja destinado especificamente a um dos gêneros, como por exemplo espuma de barbear ou absorventes, as ações tendem a se dirigir ao público em geral. Produtos que culturalmente eram reservados apenas a homens ou mulheres, hoje já não têm uma classificação clara, e o anunciante, se pretender estabelecê-la, sofrerá severas críticas do consumidor.

No entanto, nem todo anunciante embarca nessa onda de igualdade. É o que se observa, por exemplo, nas campanhas do desodorante Old Spice, que faz questão de frisar que se trata de um produto para “machos”, que, de certo modo, afasta os homossexuais de sua abordagem.

O comercial da Tramontina assume semelhante posicionamento ao dizer, indiretamente, que churrasco é coisa de homem.

O filme traz um personagem ao estilo tropeiro (o mestre churrasqueiro), que faz aparições mágicas em churrascos e se decepciona ao ver a dificuldade dos churrasqueiros. Uma voz soturna narra as dificuldades enfrentadas pelos churrasqueiros. Um estilo folclórico enaltece as características do herói: barba e cabelos sem trato, chapéu, casaco e roupas em tons acinzentados.

“MESTRE CHURRASQUEIRO”, O PERSONAGEM CRIADO PELA TRAMONTINA QUE REPRESENTA UM POUCO DA TRADIÇÃO E FOLCLORE DO POVO GAÚCHO

No filme são apresentados 5 churrasqueiros. Todos homens. O posicionamento da Tramontina é uma clara homenagem à masculinidade que há na cultura e na tradição gastronômica do churrasco. A empresa tem sede no Rio Grande do Sul, estado ao qual se atribui a qualidade de melhor churrasco do país.

A cultura tropeira no Brasil

O churrasco remonta o período dos tropeiros, viajantes que transitavam pelo sul e sudeste do país em busca de negócios. O gado, que em meados do século XVII era utilizado para transporte, passou a ser uma fonte fácil e rápida de alimento, bastando seu corte e a preparação no fogo. O sal do grosso era uma forma de armazenamento da carne por impedir sua decomposição.

Os gaúchos reivindicam a autoria do churrasco no Brasil. Foram eles, os tropeiros gaúchos, os primeiros a assar a carne diretamente no fogo nas longas viagens que realizavam para transferência de gado entre o sul e o sudeste.

A vida no campo, em tropas que viajavam por semanas ou meses sem encontrar uma cidade sequer, era dura e cheia de desafios.

A Tramontina, empresa gaúcha, reconstrói a história e apresenta um personagem parecido com os antigos tropeiros, homens de origem rústica que se aventuravam pelo interior do país para expansão da atividade pecuarista. As viagens eram fundamentalmente compostas por homens.

Os tropeiros começavam ainda criança. Com 10 anos, aproximadamente, já acompanhavam seus pais na condução da tropa, enfrentando toda sorte do caminho e os desafios da vida selvagem.

FOTO DE UM TÍPICO TROPEIRO GAÚCHO CONDUZINDO O GADO. A IMAGEM SE ASSEMELHA AO “MESTRE CHURRASQUEIRO”, DO COMERCIAL DA TRAMONTINA

A masculinidade enaltecida pela Tramontina remonta a história e o folclore gaúcho. É uma forma leve e muito bem produzida de contar um pouco da história do país e de sua gastronomia.

O comercial não nega a possibilidade do churrasco ser feito por mulheres, nem estabelece desigualdade de gênero. Apenas enaltece a masculinidade que há por trás desta tradição de mais de 400 anos e que dura até os dias de hoje como um momento de prazer e convívio.

O machismo implicaria dizer que uma mulher é incapaz de fazer um bom churrasco. A masculinidade é uma natural disposição dos homens de gostar desta que não é apenas uma refeição, mas uma tradição gastronômica do país e das famílias brasileiras.