O lado escuro da ignorância e do ódio

    Polenguinho é vítima de homofobia por grupo de pessoas que desconhece a história da música e da humanidade. Mais uma vez é revelado o lado escuro da ignorância!

    IMAGEM DA CAMPANHA "DARK SIDE DA FOMINHA", DA MARCA POLENGUINHO

    A Polenguinho, marca especialmente conhecida entre crianças, e que cultiva propagandas divertidas e simpáticas a todo tipo de consumidor, lançou a campanha Dark Side da Fominha: você não vai parar de ouvir até comer um Polenguinho.

    A Polenguinho utilizou a mesma imagem da capa do disco The Dark Side of The Moon, da banda inglesa Pink Floyd.

    Dada a semelhança entre as cores do álbum da banda de rock progressivo e as cores do arco-íris do movimento LGBT, logo uma horda de haters (odiadores profissionais) invadiram as redes sociais para condenar a iniciativa da Polenguinho, acusando-a de praticar ideologia de gênero em sua campanha.

    As cores do álbum do Pink Floyd

    O disco The Dark Side of The Moon foi lançado pela banda britânica Pink Floyd em março de 1973, quando ainda era uma banda de sucesso apenas local e com grandes dificuldades de penetração no cenário artístico de outros países.

    A capa do álbum contém um prisma (um polígono em 3D) na imagem central, que é invadido por um feixe de luz branca, refletindo, quando da saída, várias outras cores.

    Essa é, na verdade, uma representação da ótica. Estudiosos consideram que o preto é a ausência de cores. O branco é a união de todas as cores. A luz branca, ao atingir um prisma, atravessa-o, produzindo as cores básicas, como numa espécie de arco-íris.

    A pretensão do Pink Floyd era transmitir ao público a mensagem de que, embora parecesse uma banda comum, havia muitos outros elementos em sua música que deveriam ser considerados pelo público, tal como a crítica expressa ao consumismo e a irresponsabilidade do homem em relação ao planeta.

    O álbum lançou o Pink Floyd para o sucesso e se tornou referência musical no mundo, pelos diferentes elementos que dão uma sonoridade única, marcante e que diferencia a banda britânica de qualquer outra já existente.

    O arco-íris LGBT

    A bandeira do movimento LGBT foi criada em 1978 por Gilbert Baker. Ela continha, a princípio, oito cores, cada qual representando um aspecto relativo à sexualidade: rosa (sexualidade), vermelho (vida), laranja (cura), amarelo (luz do sol), verde (natureza), turquesa (mágica/arte), anil (harmonia/serenidade) e violeta (espírito humano).

    Baker era filho de um juiz e de uma professora. Após servir as forças armadas entre os anos de 1970 e 1972, engajou-se em movimentos contrários à guerra e a favor dos direitos LGBT. Apesar de ter criado a bandeira, recusou-se a registrá-la.

    A bandeira criada por Baker até hoje simboliza o movimento LGBT. No entanto, duas cores (rosa e anil) já não compõem o arco-íris idealizado por seu criador.

    A crítica à campanha da Polenguinho

    Demonstrando evidente desconhecimento quanto a origem das imagens, consumidores homofóbicos criticaram a proposta da Polenguinho, que se viu obrigada a fazer o que há de pior: explicá-la!

    Em nota, a Polenguinho declarou:

    “Nossa equipe criativa teve como inspiração a capa do álbum The Dark Side of The Moon, da banda Pink Floyd, para “brincar” com o conceito de fominha, tão utilizado quando o assunto é Polenguinho. Prezamos pela paz, pelo respeito e pela igualdade em nossa comunidade aqui. Embora não tenhamos feito alusão ao movimento LGBT+, temos máximo respeito pela causa.”

    Apesar de haver, nos últimos meses, uma onda de campanhas defendendo (ou impondo) o desapego à ideologia de gênero, com marcas de toda espécie se engajado em debates sobre o tema, o que tem gerado uma natural resistência dos mais conservadores, há que se ressaltar que a Polenguinho foi vítima de ódio nitidamente oriundo da ignorância e da aptidão da sociedade em clicar, xingar e ofender sem a mínima reflexão e pesquisa acerca do objeto.

    Uma coisa é certa: a Polenguinho conseguiu demonstrar o Dark Side of The Ignorância!