“Tampinha”, da VIVO, não foi vítima de bullying

    Comercial da VIVO com o personagem “Tampinha” é absolvido pelo CONAR, que entendeu não se tratar de caso de bullying

    Comercial lançado pela Vivo para divulgar seu serviço de banda larga, e que trazia o personagem “Tampinha”, foi absolvido pelo CONAR (Representação nº 24/18).

    No filme, um menino, na saída da escola, é chamado reiteradas vezes pelos colegas de “tampinha”, dando a impressão de se tratar de vítima de bullying. Até metade do comercial esta é a impressão preponderante, até porque, o personagem parece ficar ligeiramente incomodado com o adjetivo.

    No entanto, ao chegar em casa, o garoto se conecta à internet e revela ser um youtuber de apelido “Tampinha”, ocasião em que a operadora revela o mote do comercial: “viva mais quem você é e menos os rótulos”.

    O caso foi parar no CONAR, como já era esperado!

    Fez bem o CONAR em arquivar a reclamação!

    Porém, também é compreensível o incômodo de parte dos consumidores.

    O Código CONAR, em linha com a Constituição Federal e com o Estatuto da Criança e do Adolescente, estabelece uma rede de proteção às crianças. Para que não haja dúvida desse esforço normativo, vale conferir a redação do artigo 37 do Código CONAR:

    Artigo 37 – Os esforços de pais, educadores, autoridades e da comunidade devem encontrar na publicidade fator coadjuvante na formação de cidadãos responsáveis e consumidores conscientes. Diante de tal perspectiva, nenhum anúncio dirigirá apelo imperativo de consumo diretamente à criança. E mais:

    I – Os anúncios deverão refletir cuidados especiais em relação a segurança e às boas maneiras e, ainda, abster-se de:

    a. desmerecer valores sociais positivos, tais como, dentre outros, amizade, urbanidade, honestidade, justiça, generosidade e respeito a pessoas, animais e ao meio ambiente.

    Portanto, talvez por excesso de senso crítico ou por medo de uma possível interpretação equivocada do comercial, a reclamação formulada pelos consumidores é bastante compreensível.

    Contudo, tratando-se de linguagem publicitária, o comercial não pode ser interpretado parcialmente. Na interpretação do “conjunto da obra” tem-se, na verdade, uma excelente peça, que nos desperta para a prática do bullying, que é uma realidade nefasta entre crianças e que por vezes é negligenciada por pais e educadores. Certamente, não era o caso do Tampinha.