Neymar e Cerveja – a Proibida não foi Proibida

    Em agosto de 2017 publicamos artigo sobre a campanha da Cerveja Proibida, que utilizou o jogador Neymar como garoto-propaganda.

    À época apontamos a possibilidade de que a campanha fosse julgada abusiva, já que o CONAR veda publicidade que contenha sugestão de que a ingestão de bebida alcoólica seja sinal de maturidade ou forma de adquirir coragem.

    Para recordar. O comercial da Cerveja Proibida denominado “Eu Acredito” trazia pessoas com diferentes dificuldades na vida. Em todas as situações Neymar dava uma palavra de consolo, afirmando que todos os obstáculos podem ser superados. Apontamos a possibilidade de que a fala de “auto-ajuda” de Neymar pudesse ser interpretada como “está com alguma dificuldade na vida? Então tome uma cerveja”.

    A reclamação da Ambev. A Ambev apresentou queixa contra a proprietária da marca Proibida. A Ambev argumentou que 

    • a campanha desrespeita o Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, por Neymar não aparentar ter 25 anos; a Ambev juntou à sua denúncia pesquisa que mostra que 56% dos entrevistados afirmam que Neymar parece ter menos do que 25 anos, número que chega a 58% quando o universo pesquisado é de crianças e adolescentes.
    • associa o consumo de cerveja ao êxito pessoal.

    A decisão do CONAR. O CONAR não considerou a questão etária, até porque, comprovadamente Neymar já tinha 25 anos de idade ao tempo da campanha.

    Ao nosso ver, errou o CONAR, pois não basta ter 25 anos de idade, é necessário aparentar tê-los, ou seja, por mais que o ator contratado para um determinado comercial de bebida alcoólica tenha a idade mínima, é necessário que ele aparente ter mais do que 25 anos.

    E, para a maioria das pessoas, especialmente os mais jovens, Neymar não aparenta ter mais do que 25 anos de idade.

    Porém, prevaleceu a tese que este blog já havia levantado, de que o comercial não deixava claro que as dificuldades da vida não seriam superadas com bebida alcoólica.

    Segundo o relator “levando em conta o cuidado extremo recomendado pelas normas éticas para a publicidade de bebidas alcoólicas, ele propôs a alteração, de forma a explicitar que o consumo de Proibida não leva à superação de obstáculos.”

    Imaginemos que uma empresa que comercializa varas de pescar afirme em sua campanha que comer peixe faz bem para a saúde. É óbvio que, por melhor que seja a intenção da empresa, o que ela quer, de fato, é que o consumidor compre varas.

    O mesmo se pode dizer em relação a uma cervejaria, que ao relacionar dificuldades na vida, superação e cerveja, está, a bem da verdade, querendo que o consumidor beba mais cerveja.

    Representação nº 101/17