Campanha da cerveja Rio Carioca: "O Fogo queimou as múmias erradas"

A marca de cerveja Rio Carioca é conhecida nas redes sociais por elaborar campanhas bem-humoradas, sempre com pitadas de sinceridade sobre o cotidiano brasileiro.

Não há, para a marca, nenhuma bandeira política. Apenas brincam com a triste realidade brasileira, de um jeito leve e descontraído, como mostra o banner abaixo:

Campanha da cerveja Rio Carioca para o “Dia do Amigo”

Se a estratégia dá certo economicamente, não sabemos. Midiaticamente, é óbvio o seu sucesso. Sempre reproduzida por seus seguidores, as campanhas da marca têm enorme capilaridade em razão de sua forma de tratar a situação do país com graça.

A Rio Carioca consegue chamar a atenção para fatos do cotidiano político de maneira bem “abrasileirada”, com descontração tipicamente carioca e jeito jocoso de esculhambar a própria realidade.

Desta vez não foi diferente.

Aproveitando o ocorrido com o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, que destruiu prédio de 200 anos fundado por D. João VI, bem como importante acervo histórico, a marca publicou em suas redes sociais um banner com os seguintes dizeres:

O FOGO QUEIMOU AS MÚMIAS ERRADAS

A marca fez uma associação entre o acervo histórico do Museu Nacional, que dentre suas peças armazenava um crânio feminino de mais de 8 mil anos, e as “múmias”, que seriam os membros da classe política brasileira, que negligenciam, há anos, a conservação de prédios históricos, museus, parques etc.

Lançar a expressão “múmia” contra alguém, desde que individualizado o destinatário, poderá caracterizar conduta criminosa e ensejar indenização por danos morais. Mas, registre-se, a ofensa deverá ser individualizada. Quando destinada a um grupo incerto de pessoas não há caráter ofensivo.

O Tribunal de Justiça de São Paulo já decidiu que é ofensivo associar alguém à imagem de uma múmia, e condenou o ofensor ao pagamento de indenização por danos morais (Apelação nº 0002437-35.2008.8.26.0648).

O CONAR, por sua vez, veda publicidade desrespeitosa à “dignidade da pessoa humana, à intimidade, ao interesse social, às instituições e símbolos nacionais, às autoridades constituídas e ao núcleo familiar” (art. 19, Código CONAR).

Porém, como não há individualização do ofendido, isto é, não se sabe contra quem foi lançada a expressão “múmia”, apesar de ser evidente que são todas as autoridades responsáveis pela zeladoria e conservação do Museu Nacional, não há razão alguma para que se considere ofensiva a proposta da marca Rio Carioca.

Dirigir-se aos envolvidos diretos e indiretos tratando-os como múmias é o mínimo que se pode dizer, quase que um elogio a eles que contribuíram para destruir um pouco mais o futuro desta nação sofrida, mas bem-humorada.