CAMPANHA DA ASHLEY MADISON COPIANDO O LAYOUT DA NIKE: "ACREDITE EM ALGO. MESMO QUE ISSO SIGNIFIQUE SACRIFICAR NADA"

O site de relacionamentos extraconjugais, Ashley Madison, famoso por comerciais de incentivo ao adultério, acaba de lançar peça publicitária usando como base a campanha da Nike com o jogador de futebol americano, Colin Kaepernick.

O caso. A Nike despertou a atenção do mundo inteiro ao patrocinar o ex-jogador da NFL, Colin Kaepernick, desafeto declarado do governo americano, por causa de suas manifestações públicas contra a forma de tratamento da população negra pela polícia e pelo governo dos Estados Unidos.

Kaepernick deu início a um movimento de atletas contra o racismo ao se ajoelhar durante a execução do hino americano antes das partidas de sua equipe, o San Francisco 49s. Para muitos, sua atitude foi sinal de bravura. Para outros, uma manifestação desrespeitosa e antipatriótica.

Na campanha da marca de materiais esportivos a imagem do atleta é sobreposta pela frase: “Acredite em alguma coisa. Mesmo que isso signifique sacrificar tudo”. Há um sentido na frase: Kaepernick está sem contrato com a NFL desde 2017, em provável ação de perseguição contra suas posições políticas, segundo o atleta.

Ashley Madison. O site de relacionamentos extraconjugais, Ashley Madison, famoso por suas campanhas de incentivo ao adultério, com a hashtag #LifeisShort (a vida é curta), utilizou o mesmo layout da Nike para lançar sua nova campanha: “Acredite em alguma coisa. Mesmo que isso signifique sacrificar nada”.

O posicionamento da campanha é claro: convencer o público de que existe um lado positivo no adultério, que pode ocorrer mesmo que o indivíduo tenha um casamento feliz e que mereça ser preservado.

Segundo a Ashley Madison, em seu site, “A vida é curta. Curta um caso”, o que demonstra que o posicionamento é realmente pelo adultério sem culpa.

No Brasil. A campanha da Ashley Madison foi produzida para os Estados Unidos. As regras e controle publicitário por lá são mais permissivas do que no Brasil, sem contar que cada Estado pode legislar sobre o tema de forma diferente.

No Brasil, no entanto, talvez enfrentasse alguns problemas.

O primeiro, por se tratar de um outdoor (ele está afixado na lateral de um prédio em Chicago), já que muitas cidades brasileiras, a exemplo de São Paulo, adotaram a lei cidade limpa, abolindo esse tipo de publicidade.

O segundo, porque embora o site de relacionamentos extraconjugais seja um sucesso de público no Brasil, sua campanha talvez pudesse ser enquadrada na regra do art. 22 do Código CONAR, que tem a seguinte redação:

Os anúncios não devem conter afirmações ou apresentações visuais ou auditivas que ofendam os padrões de decência que prevaleçam entre aqueles que a publicidade poderá atingir.

A princípio, parece que o conteúdo da imagem e da frase da campanha da Ashley Madison não ofendem a nenhum padrão de decência, desde que não se saiba qual a atividade desempenhada pela empresa. A mera sugestão de que (a traição) não sacrifica nada não é suficiente para configurar a regra do art. 22 do Código CONAR.

Contudo, se não há uma clara ofensa à norma jurídica, o conteúdo da campanha é no mínimo condenável sob o ponto de vista moral, pois em tempos em que a família e a tradição são deixados de lado, campanhas como esta contribuem apenas para tornar a sociedade um pouco mais tumultuada.

Mas o pior elemento, sem dúvida, é que usou como referência uma campanha envolvendo o jogador de futebol americano, Colin Kaepernick, que realmente arriscou sua carreira em favor de uma causa nobre e justa: a reivindicação de direitos iguais a brancos e negros. Nike e Kaepernick tinham uma causa, um propósito!

CAMPANHA DA NIKE COM O ATLETA DO FUTEBOL AMERICANO COLIN KAEPERNICK.