Burger King desafia conservadorismo e usa poliamor em sua nova campanha

    Novo comercial do BK mostra um trio de namorados para a campanha ‘King em dobro’. Já antecipo que ilegal ele não é, mas é certo que a rede enfrentará a revolta dos mais conservadores.

    Quer queira, quer não, um fato deve ser reconhecido nos comerciais do Burger King: a empresa é corajosa!

    Ela se posicionou durante as eleições contra o voto em branco, mostrou carros acidentados para enaltecer os benefícios do delivery, incendiou um motoboy para abordar a principal característica de seus lanches (assados na brasa) e a todo momento provoca seu principal concorrente, o McDonald’s.

    Em sua mais recente campanha, o BK mais uma vez mostra coragem. Ela certamente vai render muitas críticas à empresa e, provavelmente, representações no CONAR. Não que desejemos isso, mas, dado o histórico de representações na entidade, é quase certo que grupos mais conservadores da sociedade, que ainda não se sintam preparados para esse tipo de comercial, tentarão derrubá-lo.

    O novo comercial, destinado a promover a campanha ‘King em dobro’, mostra um trio de namorados (um trisal). Isso mesmo, um trio de namorados!

    A brincadeira do Burger King é “ao invés de um ou outro, um e outro”, em clara alusão à possibilidade de serem comprados dois lanches ao preço de apenas um.

    Gui, Vini e Bá, o tal trio, alegam ser namorados. É o chamado poliamor.

    A garota, Bá, apresenta ao público seus dois namorados: Gui e Vini. Ela diz que há coisas que gosta num, há coisas que gosta noutro. Em suma, ela fica logo com os dois. E esse discurso está alinhado com a campanha do lanche em dobro proposta pelo BK.

    Enfim, tempos modernos.

    Não há o que se criticar sob o ponto de vista da legalidade, pois nem o Código de Defesa do Consumidor (CDC), tampouco o Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária do CONAR possuem disposição contrária ao comercial, ou seja, não é abusivo, tampouco enganoso.

    Haverá, por óbvio, quem alegue violação a preceitos de ordem moral, já que é uma forma dura e direta de contestação do entendimento de família tradicional. Se a homossexualidade costuma não ser bem recebida na comunicação publicitária, o que dizer, então, de jovens que declaram ter um namoro a três?

    O vídeo, no youtube, até o fechamento deste artigo, possuía menos ‘likes’ em comparação a ‘dislikes’, e muitas manifestações negativas de consumidores:

    Porém, o argumento de imoralidade não é suficientemente sólido para impor a sustação do comercial.

    Um argumento que talvez possa causar alguma reflexão por parte das autoridades, especialmente do CONAR, mas, já antevejo, sem poder para sustá-lo ou alterá-lo, é o de que sua exibição deverá sofrer restrição de horário de exibição, não pelo conteúdo em si, mas pela associação natural que as crianças fazem. Para elas, comerciais como do McDonald’s e do Burger King são fatores de atenção pelas cores, pelos penduricalhos (a exemplo da coroa do BK) ou pelo próprio lanche que, sabemos, são atrativos para a criançada. E aqui estou sendo conservador: acho cedo em nossa sociedade, que ainda não evoluiu sequer em relação à homossexualidade, que crianças sejam colocadas a refletir sobre poliamor sem que ainda tenham conceitos sólidos de amor.

    Seja como for, o BK foi corajoso. Concordando ou não com essas formas ‘alternativas’ de relacionamento, o BK já sabe que voarão pedras em sua direção.