Empiricus terá que dar explicações ao Procon sobre possível publicidade enganosa

    Garota-propaganda e empregada de empresa de investimentos declarou ter acumulado mais de R$ 1 milhão em apenas 3 anos, com investimento inicial de apenas R$ 1.520,00. Empresa será investigada por publicidade enganosa.

    Bettina Rudolph, a jovem de 22 anos que figurou como garota-propaganda da empresa de investimentos Empiricus, da qual é empregada, tornou-se um dos assuntos mais comentados nas redes sociais nos últimos dias.

    O caso teve desdobramentos e agora sua empregadora terá que dar explicações sobre suposta publicidade enganosa.

    Entenda a polêmica

    No vídeo Bettina afirmou ter acumulado mais de um milhão de reais, e isso com apenas 22 anos de idade. Segundo ela, tudo ocorreu graças a investimentos em ações.

    As redes sociais instantaneamente começaram a questionar como ela teria alcançado esse valor em tão pouco tempo. Em minutos, Bettina e Empiricus tornaram-se ‘meme’.

    Algumas manifestações foram um pouco mais ofensivas, chegando a dizer que ela ganhou o dinheiro de herança, que tem um namorado rico e daí para baixo.

    Porque o caso interessa ao PROCON e ao CONAR

    A Fundação PROCON notificou a Empiricus (empregadora de Bettina) para que informe se o vídeo é ou não uma campanha publicitária da empresa.

    Isso se dá porque o artigo 36 do Código de Defesa do Consumidor, exige que toda e qualquer publicidade seja facilmente identificada como tal pelo consumidor. Trata-se do princípio da identificação publicitária.

    No canal da Empiricus no YouTube há outros vídeos com a Bettina. Nas redes sociais e em entrevistas concedidas a diversos veículos de imprensa também há menção à Empiricus.

    No vídeo que está sendo investigado pelo PROCON ela diz o seguinte: “Comecei com 19 anos e R$ 1.520,00. Três anos depois, tenho mais de um milhão, simples assim”.

    Em entrevista concedida para a Veja São Paulo a garota alega que nunca falou que transformou R$ 1.520,00 em R$ 1 milhão.

    Ela disse também ter feito aportes ao longo dos anos, como por exemplo um depósito de R$ 35.000,00 oriundos de uma poupança que seus pais abriram para a filha. Mas isso não foi contado no vídeo, apenas na entrevista.

    Havendo comprovação de que o vídeo tem conotação publicitária, a anunciante – no caso, a Empiricus – deverá comprovar a veracidade da afirmação de Bettina, ou seja, como a garota realmente saiu dos R$ 1.520,00 e chegou a R$ 1 milhão apenas com investimentos em ações. Se não comprovada, ficará caracterizada a publicidade enganosa.

    O CONAR, entidade de controle da publicidade no país, também estuda a possibilidade de tomar a frente do caso. O Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária (CBAP) tem regras bastante claras quanto a testemunhais como o de Bettina.

    A começar pelo artigo 27 do CBAP, que estabelece o seguinte: “O anúncio deve conter uma apresentação verdadeira do produto oferecido (…)”. Essa veracidade obriga que todo e qualquer conteúdo publicitário corresponda à verdade.

    O § 1º do artigo 27 explica que os anúncios deverão ter dados comprobatórios, cabendo aos Anunciantes e Agências fornecer as comprovações, quando solicitadas.

    A Empiricus emitiu nota:

    “Informamos que não recepcionamos nenhum tipo de notificação da Fundação Procon. Soubemos da existência da suposta notificação por meio da imprensa, o que nos causou perplexidade. Os conteúdos veiculados não criam nem criaram qualquer tipo de relação de consumo, tratando-se apenas de um convite gratuito para saber mais sobre o assunto”.