Imagens das famílias supostamente estereotipadas pela Perdigão

No final de 2018 a Perdigão foi centro de enorme polêmica ao lançar a campanha “Compre um Chester, a Perdigão doa outro”.

Tinha tudo para ser uma excelente ação de marketing, pelo perfil altruísta da campanha, que certamente despertaria um sentimento positivo nos consumidores. Afinal, quem, em sã consciência, num país com tamanha desigualdade social, acharia ruim a doação de alimentos às pessoas mais carentes.

No entanto, a campanha sofreu críticas ao opor dois estereótipos de família: a que comprou o Chester, formada por atores brancos, e a que recebeu a doação, formada por atores negros.

O estereótipo de família carente: pretos e pardos

A primeira família (a que comprou o Chester), reunida à mesa, comemorava a festividade com muita alegria e fartura. O avô explica ao neto que uma família carente também receberá um Chester. Em seguida, o filme mostra uma família pobre expressando felicidade por ter recebido a doação da Perdigão.

O problema está na cor dos membros das famílias. A primeira família é branca. A segunda família, a carente, denominada de “família Silva”, composta de negros e pardos.

Isso foi o suficiente para que as redes sociais se armassem de ódio, acusando a Perdigão de reforçar estereótipos e impor preconceito.

Assista aqui o comercial:

A Perdigão emitiu um comunicado defendendo-se das acusações: “A Perdigão lamenta que a campanha publicitária de Natal tenha ofendido qualquer um de nossos consumidores. Nunca foi essa a nossa intenção. Falar de generosidade é, para nós, uma forma de união e agradecimento a todos os nossos consumidores, que há três anos colaboram para o Natal de mais de 6 milhões de pessoas, independente de cor, gênero, raça ou religião. É nisso que acreditamos”.

Não bastasse a polêmica criada nas redes sociais, o caso foi parar no CONAR. Consumidores incomodados com o posicionamento da Perdigão formularam reclamação à entidade.

Muito embora o fato tenha ocorrido no Natal de 2018, o caso só foi julgado em fevereiro, assim que o CONAR retomou suas atividades regulares.

O CONAR absolveu a Perdigão. Apesar da absoluta falta de celeridade, já que a campanha, produzida para durar apenas no Natal deveria ter sido analisada em dezembro, a decisão intempestiva é justa e adequada.

Sobre o eventual preconceito da Perdigão

Absolutamente descabido qualquer argumento de que houve estereotipagem das famílias carentes. Ora, alguém tem alguma dúvida de que, infelizmente, boa parte das famílias pobres são compostas por negros e pardos? Basta acessar os dados do IBGE para saber quem são os economicamente excluídos.

Além do mais, a campanha da Perdigão foi em parceria com o Mesa Brasil SESC, que é “uma rede nacional de bancos de alimentos contra a fome e o desperdício. Seu objetivo é contribuir para a promoção da cidadania e a melhoria da qualidade de vida de pessoas em situação de pobreza, em uma perspectiva de inclusão social”, segundo informações de seu site. 

Quem dera cada empresa pudesse doar a uma família carente o mesmo item adquirido por outra família, seja ela branca, amarela, azul ou rosa. Seria um passo importante para que os “Silvas” pudessem experimentar um pouco da tão sonhada igualdade. Quem dera não pudesse haver um pouco mais de amor naqueles que acionaram o CONAR para reclamar da infâmia de estereótipo… justo no Brasil!