Modelo "interpreta" vítima de Brumadinho em ensaio da Jendayi Cosméticos

A 6ª Câmara do Conselho de Ética do CONAR decidiu na última quarta-feira (26) sustar a campanha lançada pela Jendayi Cosméticos, que publicou fotos de atores cobertos de lama com o slogan “A dor também é nossa”.

A proposta da empresa era “interpretar” as vítimas de Brumadinho e demonstrar que a marca se preocupava com “a beleza da vida”.

As fotos receberam inúmeras críticas pelo aparente oportunismo da empresa de se aproveitar de um momento de profunda comoção nacional para tentar valorizar sua marca. Horas depois de publicadas, a Jendayi apagou as fotos de suas redes sociais. No dia seguinte, emitiu nota pedindo desculpas.

A decisão do CONAR é intempestiva e, por isso mesmo, ineficaz, já que acabou sustando algo que voluntariamente já havia sido retirado do ar.

Apesar da ineficácia da decisão, ela serve de alerta para que o mercado não se aproveite de tragédias como a de Brumadinho para rentabilizar um produto ou uma marca, mesmo que a proposta seja ‘realmente’ passar uma mensagem de apoio. Há sempre o problema da interpretação e o risco de que a mensagem soe como oportunista.

Apenas para que fique o registro, o Código de Ética da Publicidade determina que a atividade publicitária “deve caracterizar-se pelo respeito à dignidade da pessoa humana” (artigo 19). Foi esse o fundamento jurídico para a decisão do CONAR.