Comercial de moto usa imagens e jogo de palavras para atrair consumidores

As palavras têm poder. A imagem da mulher, estereotipada, sensualizada, erotizada, tem ainda mais!

É contando com isso que a mídia (uma parte dela, registre-se!) ainda faz uso da mulher como adorno, mero adereço publicitário. Essa coisificação transforma as modelos em objetos de desejo e, na cabeça de alguns publicitários, o consumidor também desejará o produto.

A nudez e a sensualização, como já tratamos em IntervaloLegal, são estratégias perniciosas, pois nem sempre estão relacionadas ao produto. É bem verdade que há casos em que essas estratégias de comunicação estão atreladas ao produto, e por isso deve haver cuidado para que seja utilizada sem exageros, sem a tal ‘coisificação’ humana.

O caso

A utilização da imagem de uma mulher com trajes sedutores e a frase destacada ‘COMPRE QUE DOU PARA VOCÊ’, referindo-se à moto em que está sentada, certamente provoca no imaginário do consumidor a ideia de ‘sexo gratuito’.

Num segundo nível de atenção, lê-se a frase em menor destaque ‘o emplacamento grátis’, que se conecta à primeira para dizer que a empresa anunciante daria aos consumidores o emplacamento gratuito caso adquirissem a moto.

O Código de Defesa do Consumidor, em seu artigo 37, § 2º, considera abusiva, dentre outras, a publicidade discriminatória. Há discriminação quando uma mulher é usada como adereço publicitário. Sim, grifei, pois ainda há quem defenda que esse tipo de prática não é discriminatória! Normalmente são homens que defendem essa posição.

Esse tipo de publicidade é também vedada pelo CONAR, ao estabelecer em seu Código de Ética que a publicidade deve caracterizar-se pelo respeito à dignidade da pessoa humana (art. 19), sendo proibidas afirmações ou apresentações visuais ou auditivas que ofendam os padrões de decência (art. 22).

Um documentário mostra o porquê do uso tão pernicioso da mulher pela mídia. Segundo o documentário produzido pelas organizações “Paz con dignidad” e “Revista Pueblos”, a mídia está nas mãos de poucos, que acabam tendo que procurar subterfúgios para conseguir audiência. Isso faz com que a mulher real seja oprimida, tendo que omitir fatos que são lhe são naturais. Assista: