Imagem do comercial do Flamengo para divulgação de seu programa sócio-torcedor.

Recentemente, o Palmeiras lançou sua nova camisa com o infeliz slogan “Verde é a cor da inveja”.

Na campanha publicitária do Palmeiras é enaltecido o amor e o ódio, dois elementos tóxicos na publicidade, especialmente quando nos referimos a times de futebol.

Essa discussão trouxe à tona o caso do Flamengo, que em 2017 teve um comercial sustado pelo CONAR por apresentar inúmeras imagens consideradas violentas.

Não é difícil entender o porquê da sustação do comercial do Flamengo pelo CONAR. Dá só uma olhada:

Consumidores reclamaram que o filme exagerou em cenas violentas, entre elas um coração sangrento arrancado do peito e erguido com a mão, como se fosse um troféu, e um rosto com a boca tinta de sangue. Ao final, o nome Flamengo aparece em chamas.

A peça, criada para difundir o programa de sócio-torcedor, tinha potencial para incitar a violência, já notória nos estádios e imediações em dias de jogo.

Segundo a defesa do Flamengo as imagens do coração “são analogias da paixão que move os torcedores”.

O CONAR não aceitou o argumento da defesa. Para Clovis Speroni, relator da representação, “pela leitura do texto, pouco ou nada se tem a questionar. Trata-se de uma peça de paixão clubística. O vídeo é diferente. É a leitura da paixão expressa em imagens de terror“.

Ainda, segundo o relator, é especialmente grave que quem anuncia é “amado por multidões que, sem distinção de quem seja ou onde esteja, age, na torcida, da mesma forma. O tempo que se vive, no qual a vida foi banalizada por índices bárbaros de homicídios e de outros tipos de violência, exige cautela de quem tem o poder de influenciar as pessoas, especialmente os jovens que mais facilmente são tomados pela paixão“.

Nos argumentos do recurso, o relator, Carlos Chiesa, mantendo a decisão de primeira instância, fez o seguinte questionamento: “Que associação de ideias uma pessoa, com idade de adolescente para cima, faz quando vê um sujeito com a boca encharcada de sangue, sem apresentar qualquer ferimento nem aparentar dor?“.

O comercial foi sustado.