Influenciadores e sua insistência em não nominar como “publicidade” conteúdo de natureza publicitária

    Projeto de Lei que pretende regrar prática ilegal peca pela redundância, num país em que é redundante o não cumprimento da lei

    Não é de hoje que os influenciadores tomaram lugar de destaque na divulgação de marcas e produtos. É uma espécie de movimento sem volta, que os torna as mais importantes ferramentas de incremento da publicidade, seja por causa de sua condição de dialogar diretamente com o consumidor, seja porque é possível atingir um determinado nicho com muito mais qualidade do que a publicidade aberta ao público.

    Concomitantemente, também houve um aumento considerável do número de reclamações junto ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR), especialmente por falta de identificação publicitária. Muitos desses influenciadores passaram a usar como principal estratégia a publicidade indireta (merchandising), sem deixar expresso em suas postagens que se trata de conteúdo de natureza comercial.

    O Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária (Código CONAR), em seu art. 10, veda a publicidade indireta sem a devida atenção aos princípios da ostensividade e da identificação publicitária. Isso, por si, já seria suficiente para impedir que se propagassem ações publicitárias não identificadas, que por fim são capazes …